Remineralizador de Solo Multinutriente

1 – Saúde e construção do solo

A saúde do solo é um dos pilares da sustentabilidade agrícola e está diretamente ligada à sua capacidade de exercer funções essenciais nos agroecossistemas. Entre elas estão a ciclagem e o suprimento de nutrientes, a regulação da água no perfil do solo, o suporte físico ao crescimento das plantas, o sequestro de carbono e a manutenção da biodiversidade do solo.

Diferente de uma visão mais tradicional, focada apenas na fertilidade química, o conceito de saúde do solo envolve a integração dos atributos físicos, químicos e biológicos, reconhecendo o solo como um sistema vivo, dinâmico e interdependente (Doran & Zeiss, 2000; Vezzani & Mielniczuk, 2009).

Nesse contexto, a fertilidade deixa de ser vista apenas como a disponibilidade imediata de nutrientes e passa a ser entendida como um processo contínuo de construção, dependente da estrutura do solo, da atividade biológica e da capacidade de retenção e ciclagem dos nutrientes.

Os solos saudáveis apresentam maior resiliência frente a estresses climáticos, menor dependência de insumos externos e maior estabilidade produtiva ao longo do tempo, características fundamentais para sistemas agrícolas tropicais intensivos.

1.1 – Construção da fertilidade do solo e manejo conservacionista

A construção de um solo saudável ocorre de forma gradual e cumulativa, sendo fortemente influenciada por práticas de manejo conservacionistas que favorecem a agregação do solo, a proteção da superfície, o acúmulo de matéria orgânica e a intensificação da atividade biológica.

Práticas como rotação de culturas, uso de plantas de cobertura, plantio direto, adubação orgânica e integração lavoura-pecuária-floresta promovem melhorias simultâneas nos atributos físicos, químicos e biológicos do solo. Essas estratégias contribuem para o aumento da matéria orgânica, que exerce papel central na construção da fertilidade, atuando como reservatório de nutrientes, agente estabilizador de agregados e fonte de energia para os microrganismos do solo.

Em solos altamente intemperizados, como os Latossolos predominantes no Brasil, a baixa reserva mineral e a elevada suscetibilidade à lixiviação de nutrientes tornam indispensável a adoção de práticas que promovam a reconstrução da fertilidade de forma sustentável e de longo prazo.

Nesse cenário, o uso de remineralizadores e fertilizantes naturais se apresenta como uma estratégia complementar importante na construção da saúde do solo. Esses insumos fornecem nutrientes de forma gradual e contínua, diferindo dos fertilizantes altamente solúveis, que tendem a apresentar maiores perdas por lixiviação. A liberação gradual dos nutrientes aumenta a eficiência de uso pelas plantas e contribui para a construção da fertilidade ao longo do tempo, reduzindo riscos de desequilíbrios nutricionais, especialmente em sistemas conservacionistas (Theodoro et al., 2012).

Do ponto de vista químico, os remineralizadores podem contribuir para o aumento da capacidade de troca de cátions (CTC), melhoria do balanço de bases e fornecimento de nutrientes como cálcio, magnésio, potássio, fósforo, silício, ferro e micronutrientes essenciais.

Sob o aspecto físico, estes insumos atuam como condicionadores do solo, auxiliando na formação e estabilização de agregados, especialmente quando associados à matéria orgânica. Essa melhoria estrutural reflete-se em maior porosidade, melhor infiltração e retenção de água, além de maior resistência à erosão. Esses efeitos são fundamentais para a resiliência do solo frente a eventos climáticos extremos, como períodos prolongados de seca ou chuvas intensas.

Já em relação a atividade biológica, a ação dos insumos naturais estimula a atividade de microrganismos, intensificando os processos naturais de ciclagem de nutrientes na rizosfera. Fungos micorrízicos, bactérias promotoras de crescimento vegetal e outros grupos funcionais se beneficiam desse ambiente mais equilibrado, resultando em sistemas radiculares mais eficientes e plantas mais tolerantes a estresses bióticos e abióticos (Melo et al., 2012).

Nesse cenário, destaca-se o KP Fértil, um fertilizante natural multinutriente e remineralizador de solo, obtido da rocha Kamafugito, com destaque para o fornecimento de fósforo, potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes.

A presença de potássio de liberação gradual no KP Fértil é particularmente relevante para sistemas agrícolas tropicais, nos quais esse nutriente é altamente suscetível à lixiviação quando fornecido em formas solúveis. Além disso, o silício presente no material contribui para o fortalecimento estrutural das plantas, aumentando a resistência a pragas, doenças e estresses hídricos, além de melhorar a eficiência fotossintética.

O uso contínuo do KP Fértil, associado a práticas como adubação orgânica, rotação de culturas e manutenção da cobertura do solo, favorece a construção de um ambiente edáfico mais equilibrado e funcional. Essa integração potencializa os efeitos do fertilizante natural, promovendo ganhos cumulativos na fertilidade, na estrutura e na atividade biológica do solo, alinhando-se aos princípios da agricultura regenerativa e da intensificação sustentável.

Além dos benefícios agronômicos, a utilização de fontes minerais nacionais reduz a dependência de fertilizantes importados, diminui a pegada de carbono associada ao transporte e à produção industrial e fortalece as cadeias produtivas regionais. Dessa forma, estes insumos desempenham um papel estratégico na construção da saúde do solo, atuando não apenas como fontes de nutrientes, mas como agentes de reestruturação mineral e biológica dos sistemas agrícolas.

2 – Referências

DORAN, J. W.; ZEISS, M. R. Soil health and sustainability: managing the biotic component of soil quality. Applied Soil Ecology, v. 15, p. 3–11, 2000.

2020.

MELO, V. F.; UCHÔA, S. C. P.; DIAS, L. E. Pó de rocha como fonte de nutrientes e condicionador de solos. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 36, p. 1–13, 2012.

THEODORO, S. H.; LEONARDOS, O. H.; ROCHA, E. L. Remineralização de solos: bases científicas e perspectivas. Geociências, v. 31, n. 2, p. 247–261, 2012.

VEZZANI, F. M.; MIELNICZUK, J. Uma visão integrada sobre qualidade e saúde do solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 33, p. 743–755, 2009.