A irregularidade das chuvas tem se tornado um dos principais fatores de risco da agricultura moderna. Estudos indicam que a produtividade agrícola não depende apenas da quantidade de precipitação, mas da capacidade do solo em infiltrar, armazenar e disponibilizar água às plantas. Solos compactados, com baixa matéria orgânica e reduzida atividade biológica apresentam menor infiltração, maior evaporação superficial e limitação ao crescimento radicular, impactando diretamente no acesso da planta à água e aos nutrientes (Zhu et al., 2024). Pesquisas reforçam que a compactação reduz a densidade radicular e a profundidade de enraizamento, comprometendo a absorção mesmo em condições de estresse hídrico moderado (Hanza e Anderson, 2005). Dessa forma, para enfrentar o déficit hídrico, precisamos manejar o solo.
A qualidade física e química do solo determina diretamente sua resposta às oscilações climáticas. O aumento do carbono orgânico está associado à maior retenção de água e à resiliência produtiva em períodos de seca (Rawls et al., 2003; Bonfante et al., 2020; Ramírez et al., 2023), com efeitos expressivos em solos de textura arenosa e média, onde incrementos de matéria orgânica ampliam significativamente a água disponível às culturas (Skadell et al., 2025). Nesse contexto, o manejo nutricional passa a ser parte da estratégia hídrica onde fertilizantes de elevada salinidade podem intensificar o estresse osmótico na rizosfera em condições de baixa umidade, dificultando a absorção de água pelas raízes. Por outro lado, o uso de substâncias húmicas tem demonstrado potencial na melhoria da capacidade de retenção hídrica, redução da frequência de irrigação e aumento da eficiência do uso da água pelas culturas (Nardi et al., 2021; Tiwari et al., 2023).
Outras tecnologias de origem natural se destacam pela capacidade de atuar diretamente na dinâmica hídrica do solo. O biochar, por exemplo, aumenta em média 28,5% a capacidade de água disponível, com resultados mais expressivos em solos arenosos (Razzaghi et al., 2020; Wei et al., 2023), melhorando atributos hidráulicos de forma consistente em função das condições locais (Wu et al., 2022). O silício, por sua vez, atua em múltiplos mecanismos fisiológicos, regulando o comportamento estomático, reduzindo perdas por transpiração e estimulando o acúmulo de solutos osmorreguladores (Cooke et al., 2023; Liu et al., 2021).Segundo Johnson et al (2022), em condições de campo, a suplementação com silício aumentou a eficiência do uso da água em trigo entre 32 e 74%, restaurando a produção de grãos sob déficit hídrico a níveis comparáveis aos tratamentos sem restrição hídrica.
Já os fertilizantes naturais e remineralizadores, como o KP Fértil, à base de materiais silicáticos reúnem, em uma única solução, grande parte dos benefícios descritos acima. Além do fornecimento multinutriente com liberação gradual, esses materiais contribuem para o aumento da estabilidade de agregados, estímulo à atividade microbiológica, maior desenvolvimento radicular e melhoria progressiva da estrutura física do solo (Manning, 2018; Souza et al., 2023). Swoboda et al. (2022) destacaram que os minerais formadores de rocha contêm a maioria dos nutrientes essenciais às plantas, com potencial de liberação contínua em solos tropicais intemperizados, que são exatamente onde fertilizantes solúveis convencionais apresentam menor eficiência e maior risco de perdas. Estudos demonstraram que esses materiais incrementam a retenção hídrica e a fertilidade do solo, contribuindo adicionalmente para o sequestro de carbono (Beerling et al., 2018; Theodoro et al., 2021; Medeiros et al., 2023). A presença de minerais silicáticos favorece ainda a formação de cargas no solo, o aumento da CTC dependente de pH e maior retenção de água, que são benefícios que se potencializam quando associados ao incremento de matéria orgânica e ao manejo conservacionista (Filho et al., 2023).
Em condições de restrição hídrica, os solos mais produtivos tendem a ser aqueles com melhor estrutura física, maior atividade biológica e maior capacidade de armazenamento de água. Isso reforça que o manejo do solo não é apenas uma prática agronômica, mas um fator estratégico de estabilidade produtiva.
1.1 Referências
Beerling, D. J. et al. Farming with crops and rocks to address global climate, food and soil security. Nature Plants, v. 4, p. 138–147, 2018.
Bonfante, A. et al. Exploring the effect of varying soil organic matter contents on moisture supply capacity. Geoderma, v. 361, 2020.
Cooke, J. et al. Stress alters the role of silicon in controlling plant water movement. Functional Ecology, v. 37, 2023.
Filho, P. R. R. B. et al. Potential soil remineralizers from silicate rock powders (SRP) as alternative sources of nutrients for agricultural production (Amazon Region). Minerals, v. 13, n. 10, 2023.
Hamza, M. A.; Anderson, W. K. Soil compaction in cropping systems: a review of the nature, causes and possible solutions. Soil and Tillage Research, v. 82, p. 121–145, 2005.
Johnson, S. N. et al. Field application of silicon alleviates drought stress and improves water use efficiency in wheat. Frontiers in Plant Science, v. 13, 2022.
Liu, J. et al. Functions of silicon in plant drought stress responses. Horticulture Research, v. 8, 2021.
Manning, D. A. C. Innovation in resourcing geological materials as crop nutrients. Natural Resources Research, v. 27, p. 217–227, 2018.
Medeiros, G. A. et al. Soil remineralization and recovery of degraded areas: An experience in the tropical region. Journal of South American Earth Sciences, 2023.
Nardi, S. et al. Biological activities of humic substances. In: The Future of Soil Carbon. Academic Press, 2021.
Ramírez, P. B. et al. Addressing the effects of soil organic carbon on water retention in US Pacific Northwest wheat–soil systems. Frontiers in Soil Science, v. 3, 2023.
Rawls, W. J. et al. Effect of soil organic carbon on soil water retention. Geoderma, v. 116, p. 61–76, 2003.
Razzaghi, F.; Obour, P. B.; Arthur, E. Does biochar improve soil water retention? A systematic review and meta-analysis. Geoderma, v. 361, 2020.
Skadell, L. et al. Effects of agricultural management on water retention via changes in organic carbon in topsoil and subsoil. Journal of Plant Nutrition and Soil Science, 2025.
Souza, M. E. et al. Soil remineralization as a strategy to improve tropical soil quality and sustainability. Journal of South American Earth Sciences, v. 127, 2023.
Swoboda, P. et al. Remineralizing soils? The agricultural usage of silicate rock powders: A review. Science of the Total Environment, v. 807, 2022.
Theodoro, S. H. et al. Soil remineralization and recovery of degraded areas: An experience in the tropical region. Journal of South American Earth Sciences, v. 107, 2021.
Tiwari, J. et al. Humic substances: structure, function and benefits for agroecosystems — a review. Pedosphere, v. 33, p. 237–249, 2023.
Wei, B. et al. Drivers of biochar-mediated improvement of soil water retention capacity based on soil texture: A meta-analysis. Geoderma, v. 437, 2023.
Wu, W. A. et al. Impact of biochar amendment on soil hydrological properties and crop water use efficiency: A global meta-analysis and structural equation model. GCB Bioenergy, v. 14, p. 657–668, 2022.
Zhu, X. et al. Effects of soil compaction stress combined with drought on soil pore structure, root system development, and maize growth in early stage. Plants, v. 13, 2024.