Remineralizador de Solo Multinutriente

Nutrição de Plantas e o Papel dos Nutrientes no Desenvolvimento Vegetal

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Juliana Hiromi Sato

Ger. Consultoria e Regulamentação | Mineragro - Pesquisa Agronômica

A nutrição de plantas é um dos pilares da produção agrícola e está diretamente relacionada à produtividade, qualidade dos alimentos e sustentabilidade dos sistemas produtivos. Compreender o papel dos nutrientes, sua importância e dinâmica no sistema solo-planta é essencial para a tomada de decisão do manejo do solo com foco em fertilização.

De acordo com a FAO (2019), a adubação em sistemas intensivos proporcionou um aumento de 40% da produção mundial agrícola. Em solos brasileiros, que são naturalmente ácidos, intemperizados e de baixa fertilidade natural, esse manejo nutricional é uma estratégia essencial para garantir altas produtividades.

Para que o manejo do solo seja eficiente, é necessário conhecer sobre os elementos essenciais para as plantas. Para que um elemento seja considerado essencial, ele deve atender a três critérios fundamentais: sua ausência impede que a planta complete seu ciclo de vida; o elemento possui função específica e insubstituível no metabolismo vegetal; e o elemento está diretamente envolvido na nutrição ou metabolismo da planta.

Dessa forma, os elementos são divididos em macro e micronutrientes. Os macronutrientes são aqueles exigidos em maiores quantidades como o Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre (S); e os micronutrientes são aquele exigidos em menores concentrações, mas igualmente indispensáveis como o Boro (B), Zinco (Zn), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Molibdênio (Mo), Cloro (Cl) e Níquel (Ni).

De forma resumida, podemos apresentar esses elementos com sua função em destaque e os principais sintomas de deficiência na tabela a seguir:

Tabela 1: Funções principais e sintomas de deficiências dos macro e micronutrientes.

NutrienteFunção PrincipalSintomas de Deficiência
Nitrogênio (N)Formação de proteínas, enzimas e clorofila; crescimento vegetativoClorose em folhas mais velhas, redução do crescimento
Fósforo (P)Transferência de energia (ATP), desenvolvimento radicularCrescimento lento, folhas arroxeadas, baixo enraizamento
Potássio (K)Regulação osmótica, controle estomático, ativação enzimáticaNecrose nas bordas das folhas velhas, menor resistência ao estresse
Cálcio (Ca)Estrutura da parede celular e crescimento radicularDeformação de folhas novas, morte de meristemas
Magnésio (Mg)Componente da clorofila e ativação enzimáticaClorose internerval em folhas velhas
Enxofre (S)Formação de aminoácidos e proteínasAmarelecimento em folhas novas, baixo crescimento
Boro (B)Formação da parede celular e reproduçãoMá formação de flores e frutos, morte de gemas
Zinco (Zn)Síntese hormonal e ativação enzimáticaEncurtamento de entrenós, folhas pequenas
Cobre (Cu)Fotossíntese, respiração e lignificaçãoMurchamento de folhas jovens, morte de ponteiros
Ferro (Fe)Síntese de clorofila e transporte de elétronsClorose internerval em folhas novas
Manganês (Mn)Fotossíntese e ativação enzimáticaClorose internerval com pontuações necróticas
Molibdênio (Mo)Metabolismo do nitrogênio e fixação biológicaSintomas semelhantes à deficiência de N
Cloro (Cl)Regulação osmótica e fotossínteseMurchamento e clorose (raro)
Níquel (Ni)Ativação da urease e metabolismo da ureiaNecrose em folhas, acúmulo de ureia

1.1      A dinâmica dos nutrientes no solo

A disponibilidade de nutrientes depende de fatores físicos, químicos e biológicos do solo. Entre os principais, destacam-se:

1.1.1    pH do solo

O pH influencia diretamente a solubilidade dos nutrientes. Em geral, a faixa entre 5,5 e 6,5 favorece maior disponibilidade para a maioria das culturas (Brady & Weil, 2016; Raij, 2011).

Em solos mais ácidos, com pH abaixo de 5,5, há o aumento da atividade de Al Al3+ e Mn2+, podendo gerar toxicidade e inibição do crescimento radicular, afetando a produtividade (Fageria e Baligar, 2008). Além disso, o fósforo reage com Fe e Al em condições ácidas formando fosfatos pouco solúveis, reduzindo sua eficiência agronômica (Hinsinger, 2001).

Já em solos mais básicos, com pH acima de 7,0, a disponibilidade de nutrientes como Fe, Zn, Cu e Mn diminui devido à formação de hidróxidos e carbonatos pouco solúveis (Marschner, 2012).

Outro ponto relevante é que o pH interfere nos processos microbiológicos, como a nitrificação. Em solos com pH próximos a neutralidade, as tacas de nitrificação serão maiores. Estudos indicam que o processo cessa em pH < 5,0 (Ayiti e Babalola, 2022). Dessa forma, o manejo da acidez por meio da calagem melhora tanto a fertilidade química quanto a biológica do solo.

1.1.2    Capacidade de Troca Catiônica (CTC):

Representa a capacidade do solo em reter cátions como Ca2+, Mg2+ e K+. Na literatura encontram-se diversas referências de faixas de classificação de CTC (Catani e Jacinto, 1974; Sousa e Lobato, 2004), mas de forma geral os teores adequados para solos tropicais encontram-se acima de 5,0 cmolcdm– 3 (Embrapa, 2025).

Essas faixas são importantes parâmetros, no entanto, é fundamental analisar a composição do complexo de troca. Uma CTC elevada preenchida predominantemente por H⁺ e Al³⁺ indica alta acidez potencial e baixa fertilidade efetiva. Portanto, a relação entre Soma de Bases (SB) e CTC, expressa pela saturação por bases (V%), é determinante para avaliar a qualidade química do solo (Novais et al., 2007).

1.1.3    Matéria orgânica:

A matéria orgânica do solo (MOS) exerce papel central na dinâmica de nutrientes, atuando como reservatório de N, P, S e micronutrientes (Marschner, 2012), além de contribuir significativamente para a CTC em solos tropicais. Estima-se que a MOS seja responsável por grande parte da CTC em solos de baixa atividade mineralógica, podendo representar mais de 50% da CTC total em alguns Latossolos (Novais et al., 2007).

De acordo com Wells et al. (2022), seus estudos indicaram os atributos físicos e químicos do solo foram superiores quando o teor de MOS estava acima de 3%, apresentando maior proteção do carbono e melhor qualidade do solo.

1.1.4    Atividade biológica:

Os microrganismos do solo desempenham papel fundamental na ciclagem e disponibilização de nutrientes. Processos como mineralização da matéria orgânica, nitrificação, desnitrificação e solubilização de fósforo são mediadas por comunidades microbianas (Sylvia et al., 2005; Cantarella, 2007).

A atividade biológica é influenciada por pH, teor de matéria orgânica, disponibilidade de oxigênio e manejo do solo. Solos com pH próximo da neutralidade tendem a apresentar maior diversidade microbiana e maior taxa de transformação de nutrientes (Marschner, 2012).

1.2      Diagnóstico nutricional e manejo da fertilidade

O manejo adequado da nutrição vegetal depende do diagnóstico correto do estado nutricional do solo e das plantas. As principais ferramentas utilizadas são:

  • Análise de solo: é uma prática considerada base para recomendações técnicas e seguras, sendo economicamente viável. Ela permite detectar teores nutrientes disponíveis, acidez do solo, saturação por bases e a necessidade de calagem e gessagem.
  • Análise foliar: é uma análise que complementa a análise do solo ao indicar o estado nutricional real da planta, possibilitando ajustes no manejo.
  • Analise microbiológica: é uma análise complementar as demais, avaliando a capacidade do solo em ciclar e disponibilizar nutrientes ao longo do tempo. Estudos indicam que em áreas com maior atividade biológica e maior biomassa microbiana, melhor a ciclagem de nutrientes e estabibilidade do solo (Neely et al., 2003).
  • Observação visual: embora menos precisa, a identificação de sintomas visuais pode auxiliar na detecção rápida de deficiências nutricionais.

1.3      Fonte de Nutrientes

O fornecimento de nutrientes pode ser realizado por diferentes fontes, cuja escolha deve considerar características químicas, reatividade, solubilidade e objetivo do sistema produtivo.

Os fertilizantes minerais solúveis, como cloreto de potássio (KCl), ureia, MAP e superfosfatos, apresentam alta concentração e rápida disponibilidade de nutrientes. São amplamente utilizados em sistemas intensivos devido à resposta agronômica imediata. Entretanto, em solos tropicais, parte desses nutrientes pode sofrer perdas por lixiviação (especialmente N e K), volatilização (N) ou fixação (P em solos ricos em Fe e Al), exigindo manejo criterioso quanto à dose, forma e momento de aplicação.

Como estratégia complementar, os fertilizantes naturais e os remineralizadores de solo têm ganhado espaço, especialmente em sistemas que buscam maior equilíbrio nutricional e construção gradual da fertilidade. O fertilizante natural multinutriente como o KP Fértil, fonte de K, P, Ca e Mg, é um produto de origem mineral, que diferentemente de fontes altamente solúveis, apresenta uma dinâmica de liberação gradual, contribuindo para:

  • Melhoria da CTC ao longo do tempo;
  • Reposição de nutrientes de forma progressiva;
  • Estímulo à atividade biológica;
  • Redução de perdas por lixiviação, especialmente de K e outros cátions;
  • Melhoria da eficiência dos fertilizantes convencionais associados;
  • Formação de novos minerais no solo;
  • Construção de fertilidade de média a longo prazo.

Assim, a escolha da fonte deve considerar o sistema de produção, a análise de solo e tipo de solo, a meta produtiva, e o tempo de manejo.

1.4      Considerações finais

A nutrição de plantas é um dos fatores mais determinantes para o sucesso da produção agrícola. O conhecimento sobre o papel dos nutrientes e sua interação com o solo permite desenvolver estratégias de manejo mais eficientes e sustentáveis.

Com o avanço das tecnologias e o crescente interesse por práticas agrícolas mais equilibradas, o uso de fertilizantes naturais surge como uma alternativa complementar promissora, contribuindo para a manutenção da fertilidade do solo e para a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Investir em um manejo nutricional adequado, não apenas aumenta a produtividade, mas também fortalece a saúde do solo, melhora a resiliência do sistema produtivo e assegura a viabilidade da agricultura para as futuras gerações.

2. Referências

ALLEONI, L. R. F.; MELLO, J. W. V.; ROCHA, W. S. D. Variable charge soils: concepts and applications. Scientia Agricola, 66(4): 551–559, 2009.

AYITI, O.O.; BABALOLA, O.O. Fatores que influenciam o processo de nitrificação do solo e seus efeitos no meio ambiente e na saúde. Frente Sustentável. Sistema Alimentar , 23 de março de 2022 – Seção Agricultura Urbana. Volume 6 – 2022.

BRADY, N. C.; WEIL, R. R. The Nature and Properties of Soils. 15. ed. Pearson, 2016.

CANTARELLA, H. Nitrogênio. In: NOVAIS, R. F. et al. (Ed.). Fertilidade do Solo. Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007.

EMBRAPA. Análise de solo. Disponível em: (https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/cana-de-acucar/producao/correcao-e-adubacao/diagnose-das-necessidades-nutricionais/analise-de-solo)

FAGERIA, N. K.; BALIGAR, V. C. Ameliorating soil acidity of tropical Oxisols by liming for sustainable crop production. Advances in Agronomy, 99: 345–399, 2008.

HINSINGER, P. Bioavailability of soil inorganic P in the rhizosphere as affected by root-induced chemical changes. Plant and Soil, 237: 173–195, 2001.

MARSCHNER, P. (Ed.). Marschner’s Mineral Nutrition of Higher Plants. 3. ed. Academic Press, 2012.

RAIJ, B. van. Fertilidade do Solo e Manejo de Nutrientes. IPNI, 2011.

NEELY, S.L.; ENTRY, M.A. WOOD, B.D. MATTHEWS, K.M. Soil biological indicator as affected by management. Soil and Tillage Research. 2003.

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SOUSA, D.M.G.; LOBATO, E. (eds.). Cerrado: correção do solo e adubação.2ª ed., Embrapa, 2004.

SYLVIA, D. M.; FUHRMANN, J. J.; HARTEL, P. G.; ZUBERER, D. A. Principles and Applications of Soil Microbiology. 2. Ed, 2005. 672 p.

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